Em 2015 decidimos, pela primeira vez, não passar o Natal em casa! Como a decisão foi muito em cima da hora, tivemos de pensar num destino em que se conseguisse ir de carro… a localidade escolhida foi Ronda, na vizinha Espanha.
O Roteiro que fizemos:
- Viagem e Alojamento
- Iglesia de La Merced
- El Templete de Los Ahorcados (o de La Virgen de los Dolores)
- Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno
- Fuente de los Ocho Caños
- Ponte Velha
- Jardins de Cuenca
- Banhos Árabes
- La Ermita de San Miguel
- Puerta de Almocábar
- Santuário de Santa Maria Auxiliadora
- Plaza Duquesa de Parcent
- Iglesia de Santa Maria la Mayor
- Casa-Palácio Museu Lara
- Real Maestranza de Caballería de Ronda
- Puente Nuevo
- La Casa del Rey Moro | Casa Neomudéjar | Mina de Água Secreta | Jardín de Forestier
- Miradouro de Aldehuela
- Casa Museo San Juan Bosco
- Viagem de Regresso
- Huelva | Catedral de Huelva
DIA 1
Éramos 5 pessoas e abalámos de Vila do Bispo, dia 24 de Dezembro, perto das 8h. Seguimos em direcção a Sevilha para depois descer para Ronda, fazendo uma viagem de cerca de 425 km. Fizemos paragens para tomar o pequeno-almoço e para almoçar, sempre com calma, tendo chegado ao destino por volta das 17h.
Fomos directos ao Hotel San Cayetano, reservado pelo Booking e escolhido por ser o único que ainda tinha quartos disponíveis. Não serve pequeno-almoço e não tem estacionamento. Tem a vantagem de ficar no centro da cidade, perto de tudo.
Os quartos são óptimos, com boas casas-de-banho, um excelente conforto e uma limpeza impecável. O pessoal da recepção foi bastante simpático e disposto a ajudar, com várias dicas sobre visitas, cafés e restaurantes. Como optámos por ficar só em Ronda, o carro ficou num estacionamento subterrâneo, na praça ao lado da rua do hotel. Só voltámos a mexer nele para fazer a viagem de regresso. 😉

Depois de instalados, fomos dar uma volta pela cidade e procurar um local para jantar.

A decoração estava bonita e, não sei se foi por estarmos na época natalícia, as ruas e as esplanadas estavam cheias.

É uma povoação bastante animada, com várias zonas dedicadas ao comércio e à restauração.

Nesta primeira noite, jantámos num restaurante chinês que encontrámos durante o passeio. Por ser véspera de Natal, todos os outros por onde passámos estavam fechados.


Depois disso continuámos a exploração, passando pela ponte e pelo miradouro, acabando por entrar na Iglesia de La Merced durante a Missa do Galo!

Depois da missa, que não vimos até ao fim, fomos novamente para as ruas das lojas e passámos pela Praça de Touros.

A cidade é pequena e é fácil circular pelas várias zonas a pé. Demos mais uma voltinha e regressámos ao hotel! 😊

DIA 2
O segundo dia começou com um excelente pequeno-almoço. Descobrimos uma padaria/pastelaria, atravessando a rua depois do hotel, que era uma maravilha. O pão e os bolos acabados de fazer e os croissants quentinhos e bem estaladiços… Muito bom! 😊
Entretanto, iniciando o passeio, fomos dar ao ‘El Templete de Los Ahorcados (o de La Virgen de los Dolores)‘, que data de 1734 e tem uma história bastante curiosa!

Duas das colunas, como vêem na imagem e só para vos contar um pouco da história desta ‘capela aberta‘, representam as figuras daquilo que primeiro foram chamados de “Homens-Pássaro” e que depois passaram a ser conhecidos como “Anjos Caídos“. O que é certo é que, embora muito antigas, estas figuras são idênticas à imagem que todos nós temos de extraterrestres! De qualquer modo, representam algo que veio do céu! 😆
Isto, para os entusiastas da Ufologia, prova que as visitas dos aliens ao nosso planeta, ocorrem há mais anos do que se possa pensar. A história dos discos voadores não é, portanto, recente e é identificada, inclusive, desde a Antiguidade.
E agora…?? Existem ou não?!? Heheheeh… 😁
Depois deste estranho templo, continuámos a visita à cidade!


A paragem seguinte foi na Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno, que tinha um presépio enorme, com as figuras em tamanho real.

Era uma exposição com carácter solidário e estava muito bem conseguida.


Depois de vista a exposição, a exploração continuou… Existem muitos pormenores engraçados, que se vão descobrindo enquanto se percorre a povoação.



Fomos andando até chegarmos à Ponte Velha, que levanta dúvidas sobre a sua construção ter sido romana ou árabe.

Daqui continuámos até aos Jardins de Cuenca, que merecem uma visita.

Saindo dos Jardins, fomos até aos Banhos Árabes, que podem ser visitados. Foram construídos entre os séculos XIII e XIV, estando as suas ruínas bastante bem conservadas. O espaço é pequeno mas, durante a visita, mostram um vídeo que permite ver como eram e como funcionavam.

Pelo caminho passa-se por La Ermita de San Miguel, que estava encerrada.

Depois do Banhos, vimos um trilho que nos levava por fora das muralhas, até ao outro lado da cidade… Como tínhamos tempo e estava um excelente dia, resolvemos seguir por ele! 😁



Continuando a caminhada, fomos dar à Puerta de Almocábar, que é do séc. XIII. Foi modificada por Carlos V e restaurada em 1961!

Passámos por ela e fomos subindo até ao centro da cidade.

Passámos por um muro, totalmente escrito com todo o tipo de mensagens. Não percebemos porquê! 😁

Depois seguimos para o Santuário de Santa Maria Auxiliadora, que tem uma bonita igreja. Infelizmente, só se pode visitar durante as missas.

De qualquer modo, é uma das zonas mais altas da cidade e conseguem-se belas vistas da paisagem, a partir de um miradouro que existe aqui.

Continuámos andando até à Plaza Duquesa de Parcent, que tem um bonito jardim e onde fica o Ayuntamiento de Ronda, a câmara municipal. Esta praça tem muito movimento e vários pontos de interesse.

Aqui podemos encontrar o Convento de Santa Isabel de los Angeles e o Convento De La Caridad (HH. De La Cruz). Convém verificar os horários, porque nem sempre estão abertos.

Também existem bons cafés e restaurantes, além de se poder alugar um coche para passear pela zona! 😊

É também nesta zona que fica a Iglesia de Santa Maria la Mayor, que começou a ser contruída em 1485 e vale a pena ser visitada. É bonita por dentro e por fora, com a sua fantástica torre.

Depois de vista esta zona, fomos para a Casa-Palácio Museu Lara, que é uma visita obrigatória nesta cidade.

O que impressiona, neste museu, é a diversidade de colecções apresentadas!

Desde instrumentos musicais, a armas, máquinas fotográficas, máquinas de filmar, binóculos, máquinas de escrever… Tudo bem dividido por secções e tudo bem conservado e com boa visibilidade.


Tem ainda, num piso mais baixo, uma sala dedicada à Inquisição e aos seus métodos de tortura.


Uma parte desta sala também apresenta uma curiosa selecção de elementos mitológicos ou relacionados com a bruxaria. É um museu para todos os gostos! 😁

A foto seguinte são duas raízes de Mandrágora, planta mística rodeada de lendas! Era uma das plantas mais usadas em feitiçaria, devido ao facto das suas raízes apresentarem formas semelhantes às humanas! Além disso, tem propriedades alucinogénias, afrodisíacas e serve de analgésico… penso que dela também são extraídos venenos. Uma raiz com forma masculina e outra com forma feminina. É mesmo incrível a semelhança com as formas humanas, com os pormenores todos!


Do museu fomos de novo para a zona do nosso hotel. O objectivo foi descansar um pouco, antes do jantar! 😊


Depois da refeição, demos um pequeno passeio pela cidade que estava, mais uma vez, bastante animada. Pessoal espalhado por todo o lado, tudo à vontade, vendo as montras e conversando nas esplanadas. É uma povoação muito segura.

DIA 3
No dia 26, depois ter termos ido tomar o pequeno-almoço na pastelaria perto do hotel, fomos visitar a Real Maestranza de Caballería de Ronda.

Esta Praça de Touros é a maior de Espanha, e talvez do mundo, e foi a primeira a ser construída em tijolos. A sua escola de equitação é uma das mais prestigiadas do país e promove vários eventos e prémios.

Foi construída em 1785, embora a Real Maestranza já exista desde 1572, tendo sido instituída por D. Filipe II.

Há muito para ver, dentro desta praça. Vale a pena a visita, mesmo que não se goste de touradas, como é o meu caso! 😉


Durante a visita, além da arena, podemos percorrer as galerias. São lindas e cheias de pormenores e objectos em exposição.

Caso as visitem, reparem nos degraus em azulejos… são fantásticos e cada um retrata uma cena diferente!

São vários os instrumentos de toureio em exposição, desde capotes, bandarilhas, espadas e os adereços para os cavalos. Existem ainda vários quadros, com notícias e cartazes e uma colecção de armas de duelo. Todas utilizadas! 😁

Vimos aqui o impressionante crânio de um Uro! Este bicho era uma espécie de boi gigante selvagem, que chegava a medir 2 metros de altura e a pesar mais de 1 tonelada… imaginem um touro do tamanho de um elefante… algo assim! Os seus cornos podiam atingir cerca de 1,5m de comprimento! Esta espécie, o Bos Primigenius, foi declarada extinta em 1627, quando a última fêmea morreu numa floresta, na Polónia!
Desde 2010, estão vários cientistas italianos a tentar recriar um exemplar deste animal, que tem mais de 2 milhões de anos e que é proveniente do norte da Índia.


Terminada a visita à bonita praça de touros, fomos para a Puente Nuevo. Esta ponte é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade e de toda esta região. Foi construída no séc. XVIII, tem 98 metros e cruza o Tajo, por onde corre o rio Guadalevín, que forma uma bonita cascata. Pode-se ir passear até lá, sendo um cenário magnífico.
A primeira ponte a ser aqui construída foi em 1735, só que aguentou pouco tempo. Seis anos depois caiu, matando 50 pessoas. Em 1751, começou-se a fazer a ponte actual, que só foi acabada em 1793, quarenta e dois anos depois. O seu interior pode ser visitado, funcionando lá uma espécie de Centro de Interpretação, que era antes uma prisão.

A próxima atracção a ser visitada foi La Casa del Rey Moro, onde podem ser vistos três elementos: a Casa Neomudéjar, a Mina de Água Secreta e o Jardín de Forestier! É um lugar muito interessante e fantástico. A sua história vem do século XIV.
A casa não conseguimos ver, por estar a ser restaurada, mas os jardins são bastante bonitos… ficam mesmo em frente aos Jardins de Cuenca, que visitámos no dia anterior. Foi desenhado por Forestier, que criou um belo espaço, com vários níveis, unindo os mesmos com um canal de água.



A mina já está referenciada em textos que datam de 1485, isso quer portanto dizer que é ainda mais antiga! Era usada como saída secreta da cidade pelo rio Guadalevín e é composta por várias salas, que se vão encontrando durante a descida! Os escravos traziam de lá a água que abastecia o Palácio. A sua construção e a sua configuração como estrutura militar secreta, impressionam!

Não os contei, mas li que são 231 degraus. Aviso que é bastante cansativo e que nem todos conseguem fazer o percurso. Os degraus não são fáceis… a descer é na boa, mas o caminho para cima é difícil!

De qualquer modo, é bem satisfatório chegar lá em baixo e sair numa plataforma, mesmo por cima do rio e no fundo do Tajo. É lindo! 😊

Terminada a visita a esta Casa e à sua Mina de Água Secreta, continuámos o nosso passeio pela cidade, indo por ruas por onde ainda não tínhamos passado.


Acabámos por decidir ir comer qualquer coisa. Escolhemos a Cervecería Mesón Rondeño, que se recomenda. Boa comida, a preços acessíveis e com um serviço bastante simpático!

Depois do almoço, continuámos o nosso passeio. Encontrámos algumas esculturas e uma árvore de Natal tão bonita, que me apeteceu ficar com ela… heheeheh… era feita de presuntos! 😁
Fomos de novo parar à praça central da cidade, vendo sempre coisas novas pelo caminho.

Uma das coisas que vimos foram umas espécies de medalhões no chão, que formam um tipo de ‘passeio da fama’! Neles aparecem a cara e a assinatura de alguns ilustres da cidade.

Ainda estivemos no coreto, que fica junto do Miradouro de Aldehuela, onde está sempre alguém a tocar e onde se tem uma vista magnífica!

Daqui resolvemos continuar a explorar a cidade… o objectivo era aproveitar ao máximo a última tarde! 😊

Entretanto, continuando a volta, passámos por um pátio bem bonito e que nos chamou a atenção! Como estava aberto, resolvemos entrar e apreciar o lugar…

Era a linda Casa Museo San Juan Bosco… é uma das atrações da cidade, mas não sabíamos da sua existência… foi uma sorte termos passado por ela! 😁

Este palacete pertencia ao casal Don Francisco Granadino Pérez e Doña Dolores Gómez Martínez. Tendo o marido falecido, em 1934, Doña Dolores deu a mansão à Ordem dos Salesianos. Foi então transformada em casa de saúde e lar de idosos. Vale muito a pena a visita, onde podemos ver os móveis e as tapeçarias originais, que continuam nas paredes.

Umas das coisas que tornam esta visita imperdível é o terraço que existe nas traseiras da casa… tem vários pormenores muito engraçados e uma vista deslumbrante para a Puente Nuevo!

Como já estava a ficar tarde, voltámos para o hotel… pelo caminho ainda fomos outra vez à Iglesia de Santa Maria la Mayor… ver uma parte que nos faltava, com um acesso mais afastado do principal!

DIA 4
No último dia, depois do pequeno-almoço e para não abalarmos logo de seguida, decidimos descer o Tajo! O desfiladeiro é incrível e merece um passeio por ele… A paisagem é espectacular e as margens do rio são fáceis de percorrer! 😊

De regresso ao centro e ao carro, iniciamos o nosso caminho de regresso a Vila do Bispo… foram feitas algumas paragens, uma delas em Huelva, onde fomos visitar a Catedral!

Ficaram muitas coisas por ver na cidade e merece, sem dúvida, um regresso! Há muito que se pode fazer em Ronda e em toda a região… a Cueva del Gato, o Caminito del Rey e a vila de Setenil de Las Bodegas são nesta zona e merecem também uma visita… sendo assim, está decidido que vou ter de voltar! 😁
Espero ter ajudado e que vos tenha dado algumas sugestões úteis, para quando resolverem programar uma visita à localidade… Boa viagem! 😉