Muito perto de nós, na vizinha Espanha, fica Mérida. Esta pequena cidade, fundada pelos romanos no ano 25 a.C., foi classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, em 1993. Considerada como uma pequena Roma espanhola, a povoação é calma, segura e cheia de pontos de interesse! Acreditem que vale bem a pena uma visita a esta antiga capital! 😉
São poucas horas de viagem! Saímos de Vila do Bispo por volta das 7h30 e chegámos ao hotel perto da hora do almoço. Deixámos lá a bagagem, almoçámos e começámos a explorar! 😁
- Casa del Mitreo
- Área Funerária de los Columbários
- Praça de Touros
- Junta da Estremadura
- Loba Capitolina
- Alcáçova Árabe
- Ponte Romana
- Templo de Diana
- Anfiteatro e Teatro Romano
- Centro Desportivo Tae Guk Kim
- Museu Aberto de Mérida | Geomérita | Praemérita
- Aqueduto de San Lázaro | Termas de San Lázaro
- Circo Romano
- Xenodóquio
- Basílica de Santa Eulália | Hornito | Cripta
- Aqueduto dos Milagres
- Brasería Belloso
- Museu Nacional de Arte Romana
- Pórtico do Fórum
- Área Arqueológica da Morería
- Monumento a Octávio Augusto
- Plaza de Santa María | Concatedral Metropolitana de Santa María la Mayor | Monumento de Homenagem à Semana Santa
- Plaza de España | Palacio de La China
- Restaurante São Pedro
- Igreja Matriz de Portel
- Estátua de D. Nuno Álvares Pereira
- Castelo de Portel
Dia 1
O único alojamento que conseguimos reservar, porque a viagem foi pensada apenas dois dias antes, foi o Hotel Zeus! Tem uma boa localização, possui estacionamento gratuito e uma bomba de gasolina mesmo ao lado. Fica a uma curta caminhada do centro da cidade e de todos os outros monumentos.
O quarto, apesar de muito pequeno, tem todas as condições para uma noite bem passada, com varanda equipada com uma mesa e duas cadeiras. A insonorização é fraca e consegue-se ouvir tudo o que se passa nos quartos ao lado, mas a limpeza é impecável e o pequeno-almoço é bom e variado, com produtos de qualidade.

A primeira paragem foi na Casa del Mitreo, que fica um pouco acima do hotel, e pertencia a uma abastada família romana. O espaço está muito bem organizado, proporcionando uma visita calma e com boas explicações.

Os quartos estavam ricamente decorados com mosaicos e pinturas murais, que apresentam um excelente estado de conservação. O mais importante é o Mosaico Cosmológico, que representa o Céu, a Terra e o Mar. 😊

A Casa del Mitreo dá acesso à Área Funerária de los Columbários. A entrada para essa zona faz-se passando por um espectacular caminho de ciprestes!

A área é bastante interessante e extensa, com alguma informação facultada por placas espalhadas pelo local.

Aqui podemos ver duas tumbas de incineração a céu aberto, que pertenciam aos Voconios e aos Julios, duas das famílias mais importantes.

Além de outros pormenores, podemos ver também o que resta dos Mausoléus destas duas famílias, que datam de 50-100 d.C.

Saindo daqui passámos pela bonita Praça de Touros, caminho que fizemos várias vezes. Apenas um café estava aberto, não sendo possível visitar o seu interior.

Aproveito para dizer que existe o bilhete geral de Mérida, que dá acesso a 5 monumentos. Mesmo que visitem apenas 3, já compensa. Pode ser adquirido em qualquer bilheteira, podendo ser assim comprado no primeiro monumento que visitarem! 😉
A cidade tem um património histórico impressionante e em todos os cantinhos há qualquer coisa para ver.

Entretanto, de um momento para o outro, começou a chover intensamente. Não tivemos outro remédio a não ser procurar abrigo no sítio mais próximo, a Junta da Estremadura, que tem um bonito jardim que aproveitámos para conhecer. 😁

Quando a intensidade da chuva diminuiu continuámos o nosso caminho, passando pela Loba Capitolina. Foi doada pela cidade de Roma e é uma réplica da famosa escultura que representa a loba que alimentou os irmãos Rómulo e Remo. A França, o Brasil, o Japão e a Argentina são alguns dos países que também já receberam esta oferta.

Quase em frente à rotunda, onde está a Loba, fica o acesso para a espectacular Alcáçova Árabe, que antes estava rodeada por um grande fosso. Logo à entrada passa-se por um fortim, onde podemos admirar o que resta da calçada principal da cidade. 😊

A fortificação foi construída por Abderramão II, em 835, e tem vestígios romanos, visigodos e árabes.

Não podem deixar de descer a escadaria que nos leva à incrível cisterna subterrânea, que filtra a água vinda do Rio Guadiana.

As muralhas da Alcáçova medem 2,70 m de largura e é possível subir a uma delas, de onde temos uma excelente vista do rio e da Ponte Romana.

Daqui voltámos para o hotel, onde trocámos de roupa e esperámos que parasse de chover.

Quando o tempo melhorou, fizemos um passeio pela periferia da cidade. Acabámos por atravessar o Guadiana e seguir a sua margem esquerda, até o Parque de San António, que fica junto à Ponte Romana.

Em ambas as margens existem parques de lazer junto ao rio. Nesta margem, no outro lado da Ponte Romana, logo em frente ao Parque de San António fica o Parque de Las Siete Sillas! Na margem direita, existe um passadiço que acompanha sempre a água até ao grande Parque de La Isla, que fica em frente à ilha, já depois da Ponte Lusitânia.
Resolvemos então atravessar a Ponte Romana, em direcção à Alcáçova. Feita a partir de 25 a.C., é um dos cartões de visita da cidade e a maior ponte sobrevivente dessa época, com 62 arcos e 792 metros de comprimento. Vale muito a pena fazer o passeio e atravessar a ponte, quer de noite quer de dia, cercada pelos vários espaços verdes que têm sempre muita animação!

Depois da ponte fomos novamente para o centro histórico, à procura de um local para jantar.

Já de barriga cheia demos um passeio pela zona, que é bem animada e cheia de movimento. Fomos apreciando, entre outras coisas, a arte urbana da cidade.

É espectacular andar a passear pela cidade e, no meio das lojas, encontrar um Templo de Diana. Ao seu redor encontram-se algumas escavações e existem explicações em português, nas várias placas que rodeiam o templo e as ruínas que o cercam.

Depois do Templo, fizemos o caminho de regresso ao hotel. A noite estava boa e nada fria, parecendo incrível que tivesse chovido tanto, poucas horas antes.
Dia 2
A manhã do segundo dia, logo após o pequeno-almoço, começou com uma visita ao complexo onde ficam o Anfiteatro e o Teatro Romano.
O Anfiteatro foi inaugurado no ano 8 a.C. e tinha capacidade para cerca de 16.000 espectadores. Aqui eram realizados os combates entre gladiadores e as caçadas e lutas com animais selvagens.

Vale a pena perder tempo a absorver todos os pormenores deste local, com as suas passagens, arcos e buraquinhos para espreitar!

Mesmo ao lado fica o magnífico Teatro Romano, que considero uma visita obrigatória. Foi construído, a pedido de Marco Agripa, entre os anos 16 e 15 a.C. e continua a ser palco de espectáculos, sendo aqui realizado anualmente o Festival de Teatro Clássico.

A sua plateia dividida em 3 secções, e onde se sentavam de acordo com o estatuto social, tinha perto de 6.000 lugares. O palco é lindo, com todas as suas colunas e esculturas que representam vários deuses e imperadores. Era fechado com uma parede de 30 metros de altura, existindo 3 corredores por onde entravam os actores. O corredor central, que se chamava Valva Regia, tem sobre ele a estátua da deusa Ceres.

Não deixem o Teatro sem percorrer o jardim, que fica atrás do palco. Além de ser bem bonito tem várias peças interessantes, entre as quais estão as estátuas da família imperial, colocadas nos nichos que se encontram num dos muros que o cercam!

Terminámos a visita e fomos em direcção a um dos aquedutos da cidade. Pelo caminho, tendo ouvido barulho, por curiosidade entrámos no Centro Desportivo Tae Guk Kim. São várias as modalidades de combate que se ensinam neste espaço e o barulho vinha da aula que estava a decorrer no momento da nossa passagem! 😁

Ainda antes de chegarmos ao aqueduto fizemos uma paragem no Museu Aberto de Mérida. São duas as colecções que podemos visitar neste espaço: a Geomérita apresenta uma exposição com minerais, rochas e fósseis e a Praemérita tem uma mostra de armas, armaduras e outros artefactos antigos. Todos os objectos expostos foram encontrados na região, sendo também aqui promovidas algumas exposições temporárias.

Chegámos, finalmente, ao Aqueduto de San Lázaro. Tem quase 1 km de comprimento e perto dele podemos ver as ruínas de umas Termas Romanas.

Daqui seguimos até ao Circo Romano, que impressiona pela sua dimensão! As voltas na arena simbolizavam os meses do ano e as quatro equipas eram diferenciadas pela cor, representando as estações. Tem uma forma oval e merece uma visita, só para termos noção do que eram as corridas com quadrigas! 😊

Iniciámos a caminhada para a Basílica de Santa Eulália, tendo passado pelo que resta do Xenodóquio. Foi construído no século VI, durante o reinado dos visigodos. Servia de albergue e hospital para os viajantes e para os pobres, fornecendo alojamento, comida e cuidados gratuitos.

A Basílica de Santa Eulália, apesar de não ser muito grande, tem muitos pormenores interessantes e que merecem ser vistos! Logo no acesso ao átrio, temos o Hornito. É um oratório dedicado a Santa Eulália e o seu pórtico foi feito com peças de mármore extraídas, no séc. XVIII, de um templo que os romanos tinham dedicado ao deus Marte e cuja localização original se desconhece.

Tenham em atenção que apesar do bilhete para a Cripta estar incluído no passe-geral da cidade, não dá direito à entrada na Basílica, que se faz através de um acesso por dentro da cripta. Assim, antes de entrar, peçam logo o bilhete para a Basílica ou não a conseguirão visitar! 😉

Passando pela cripta, onde pudemos ver inúmeras sepulturas e mausoléus de épocas distintas, entrámos no templo. O edifício actual foi construído no século XIII, no mesmo local, seguindo a mesma planta e aproveitando alguns materiais da basílica original, que era do século IV.

O monumento seguinte foi o bonito Aqueduto dos Milagres. É uma zona muito sossegada e bastante agradável, com um enorme espaço verde onde se pode passear e descansar!
Durante o dia, e em algumas noites, fazem-se animações nesta zona. Quando chegámos estava um palco montado, com uma banda de originais a tocar. 😊

Ainda existem cerca de oitocentos metros do aqueduto e algumas das suas torres têm vinte e sete metros de altura. No seu lado norte está um tanque, que era usado para depurar a água e que servia também de fonte!

Daqui fizemos o caminho de volta até ao centro, à procura de um lugar onde ainda nos servissem almoço. Entrámos na Brasería Belloso, onde fomos atendidos com muita simpatia, apesar de serem quase 15h. O Google informa que já não existe, infelizmente, porque as doses eram bem servidas e bem saborosas. Apresentavam muitos pratos tradicionais e muitos grelhados. Nós pedimos umas sopas e umas migas extremeñas, como entrada, que estavam uma maravilha.

Muito satisfeitos, e de barriga cheia, fomos visitar o espectacular Museu Nacional de Arte Romana. 😊

O tamanho do espaço e da colecção é impressionante! A quantidade e a qualidade das peças, assim como a sua conservação, são incríveis. Os mosaicos, a cerâmica, as esculturas, os simples objectos do quotidiano e as jóias usadas pelos romanos, a enorme cripta, tudo merece ser visto com atenção. O próprio edifício é fabuloso e é outra visita que considero obrigatória!

Terminada a visita, fizemos o caminho de regresso ao hotel para descansarmos da caminhada que, segundo a informação do telemóvel, foi de 42 km! 😅
Durante o percurso passámos ainda pelo Pórtico do Fórum. O seu revestimento era todo em mármore e foi construído durante o séc. I. Os seus muros tinham nichos, com estátuas de deuses e figuras relacionadas com a história de Roma e a família de Augusto.

Tinham passado pouco mais de duas horas quando saímos do alojamento e fomos passear para a margem do rio. Percorremos novamente metade da Ponte Romana e olhámos outra vez para a Ponte Lusitânia, lamentando não haver tempo para lá ir.
Foi inaugurada a 10 de dezembro de 1991 e é uma obra de Santiago Calatrava. É bem bonita, com o seu design moderno e a sua iluminação à noite, existindo no centro uma fantástica passagem para peões. O seu nome é uma referência ao facto de Mérida, na altura conhecida como Emérita Augusta, ter sido a capital do território lusitano.
Na outra margem ficam o Parque das VII Sillas, que já tinha mencionado, e o Parque do Palácio de Congressos, locais que não conseguimos visitar.

De qualquer modo, mesmo sem tempo para atravessar e explorar a margem esquerda, fomos seguindo o rio até à rotunda que fica junto à sua entrada, com o Monumento a Octávio Augusto.
Um pouco antes, parámos para observar a Área Arqueológica da Morería. É mesmo incrível a riqueza histórica desta cidade, com ruinas de muralhas e de villas romanas espalhadas por todo o lado. Podemos entrar na Área, para admirar melhor as calçadas e outros pormenores, embora do exterior também se consiga ver bem o local.

O caminho de regresso foi feito pela Calle de San Salvador, que nos levou até à Plaza de Santa María. Esta praça liga com a Plaza de España e entre as duas fica a Concatedral Metropolitana de Santa María la Mayor.
Quase em frente à torre da catedral, de costas para a estrada, está o Monumento de Homenagem à Semana Santa. É uma curiosa estátua, que representa um devoto a esfregar um dos pés! 😄

A simpática Plaza de España, com a sua fonte, é um excelente local para petiscar e beber qualquer coisa. Foi isso que nós fizemos numa das esplanadas dos quiosques que existem, um em cada canto do seu quadrado central.
Nas ruas, ao seu redor, há vários restaurantes e bares. É também aqui que estão situados alguns bancos, um hotel de 5 estrelas e a Câmara Municipal. Não podem deixar de olhar para a maravilhosa fachada do Palacio de la China, um edifício de 1928 que, infelizmente, foi abandonado e colocado à venda.

Estivemos aqui a relaxar durante umas horas, regressando depois directamente para o hotel.
Dia 3
No último dia não vimos nada em Mérida, ficando em falta uma passagem pelos Poços de Neve e pelo Arco de Trajano. Acordámos um pouco mais tarde e, depois do pequeno-almoço, abalámos de regresso ao Algarve. Pelo caminho resolvemos parar em Portel, para almoçar no Restaurante São Pedro.
Fomos atendidos com muita simpatia e os pratos tradicionais alentejanos, assim como as entradas e as sobremesas, tinham uma excelente apresentação e muito sabor. Adorámos as cestas do pão, feitas com rolhas de cortiça! 😁

Depois do almoço, aproveitámos para conhecer a povoação. A nossa visita começou na Igreja Matriz, construída entre 1754 e 1766.

Vista a igreja, decidimos subir até ao Castelo. Junto dele, e da Câmara Municipal, está a Estátua de D. Nuno Álvares Pereira. Também podemos ver, na mesma praça, a Igreja da Misericórdia.

O Castelo foi fundado por D. João Peres de Aboim, em 1261, tendo sido modificado por Francisco Arruda, durante o reinado de D. Manuel I.

Na altura que o visitámos, apesar das muralhas e da torre estarem em excelente estado de conservação, achámos o interior muito degradado e com falta de manutenção, como se pode ver pelas imagens.

Entretanto, segundo algumas notícias que li, o problema foi resolvido. Em 2021 o Castelo foi reabilitado e foi inaugurado um Centro de Interpretação no local, proporcionando aos visitantes informação sobre a sua história e as transformações que sofreu ao longo dos anos.
De qualquer modo, na sua muralha temos uma vista espectacular sobre a vila e toda a região. Vale a pena a visita! 😉

Descendo de volta ao centro e ao carro, retomámos o caminho para casa, fazendo os 242 km que nos faltavam e uma paragem para jantar! 😊
Como digo sempre, espero que tenham gostado do Roteiro e que vos ajude a programar uma escapadinha ou, pelo menos, que sirva de inspiração. Qualquer dúvida que tenham é só deixar nos comentários, que tentarei ajudar no que for possível! Boas viagens para todos! 😉