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Mérida e Portel – Escapadinha de 3 dias

Muito perto de nós, na vizinha Espanha, fica Mérida. Esta pequena cidade, fundada pelos romanos no ano 25 a.C., foi classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, em 1993. Considerada como uma pequena Roma espanhola, a povoação é calma, segura e cheia de pontos de interesse! Acreditem que vale bem a pena uma visita a esta antiga capital! 😉

São poucas horas de viagem! Saímos de Vila do Bispo por volta das 7h30 e chegámos ao hotel perto da hora do almoço. Deixámos lá a bagagem, almoçámos e começámos a explorar! 😁

Dia 1

  • Casa del Mitreo
  • Área Funerária de los Columbários
  • Praça de Touros
  • Junta da Estremadura
  • Loba Capitolina
  • Alcáçova Árabe
  • Ponte Romana
  • Templo de Diana

Dia 2

  • Anfiteatro e Teatro Romano
  • Centro Desportivo Tae Guk Kim
  • Museu Aberto de Mérida | Geomérita | Praemérita
  • Aqueduto de San Lázaro | Termas de San Lázaro
  • Circo Romano
  • Xenodóquio
  • Basílica de Santa Eulália | Hornito | Cripta
  • Aqueduto dos Milagres
  • Brasería Belloso
  • Museu Nacional de Arte Romana
  • Pórtico do Fórum
  • Área Arqueológica da Morería
  • Monumento a Octávio Augusto
  • Plaza de Santa María | Concatedral Metropolitana de Santa María la Mayor | Monumento de Homenagem à Semana Santa
  • Plaza de España | Palacio de La China

Dia 3

  • Restaurante São Pedro
  • Igreja Matriz de Portel
  • Estátua de D. Nuno Álvares Pereira
  • Castelo de Portel

Dia 1

O único alojamento que conseguimos reservar, porque a viagem foi pensada apenas dois dias antes, foi o Hotel Zeus! Tem uma boa localização, possui estacionamento gratuito e uma bomba de gasolina mesmo ao lado. Fica a uma curta caminhada do centro da cidade e de todos os outros monumentos.

O quarto, apesar de muito pequeno, tem todas as condições para uma noite bem passada, com varanda equipada com uma mesa e duas cadeiras. A insonorização é fraca e consegue-se ouvir tudo o que se passa nos quartos ao lado, mas a limpeza é impecável e o pequeno-almoço é bom e variado, com produtos de qualidade.

Hotel Zeus

A primeira paragem foi na Casa del Mitreo, que fica um pouco acima do hotel, e pertencia a uma abastada família romana. O espaço está muito bem organizado, proporcionando uma visita calma e com boas explicações.

Casa del Mitreo

Os quartos estavam ricamente decorados com mosaicos e pinturas murais, que apresentam um excelente estado de conservação. O mais importante é o Mosaico Cosmológico, que representa o Céu, a Terra e o Mar. 😊

Mosaico Cosmológico

A Casa del Mitreo dá acesso à Área Funerária de los Columbários. A entrada para essa zona faz-se passando por um espectacular caminho de ciprestes!

Passando para a Área Funerária…

A área é bastante interessante e extensa, com alguma informação facultada por placas espalhadas pelo local.

Área Funerária de Los Columbários

Aqui podemos ver duas tumbas de incineração a céu aberto, que pertenciam aos Voconios e aos Julios, duas das famílias mais importantes.

Tumbas de Incineração

Além de outros pormenores, podemos ver também o que resta dos Mausoléus destas duas famílias, que datam de 50-100 d.C. 

Mausoléus de Los Voconios e de Los Julios

Saindo daqui passámos pela bonita Praça de Touros, caminho que fizemos várias vezes. Apenas um café estava aberto, não sendo possível visitar o seu interior.

Praça de Touros

Aproveito para dizer que existe o bilhete geral de Mérida, que dá acesso a 5 monumentos. Mesmo que visitem apenas 3, já compensa. Pode ser adquirido em qualquer bilheteira, podendo ser assim comprado no primeiro monumento que visitarem! 😉

A cidade tem um património histórico impressionante e em todos os cantinhos há qualquer coisa para ver.

Passeando pela cidade…

Entretanto, de um momento para o outro, começou a chover intensamente. Não tivemos outro remédio a não ser procurar abrigo no sítio mais próximo, a Junta da Estremadura, que tem um bonito jardim que aproveitámos para conhecer. 😁

Na entrada da Junta… 😄

Quando a intensidade da chuva diminuiu continuámos o nosso caminho, passando pela Loba Capitolina. Foi doada pela cidade de Roma e é uma réplica da famosa escultura que representa a loba que alimentou os irmãos Rómulo e Remo. A França, o Brasil, o Japão e a Argentina são alguns dos países que também já receberam esta oferta.

Loba Capitolina

Quase em frente à rotunda, onde está a Loba, fica o acesso para a espectacular Alcáçova Árabe, que antes estava rodeada por um grande fosso. Logo à entrada passa-se por um fortim, onde podemos admirar o que resta da calçada principal da cidade. 😊

A calçada antiga!

A fortificação foi construída por Abderramão II, em 835, e tem vestígios romanos, visigodos e árabes.

Alcáçova Árabe

Não podem deixar de descer a escadaria que nos leva à incrível cisterna subterrânea, que filtra a água vinda do Rio Guadiana.

Cisterna

As muralhas da Alcáçova medem 2,70 m de largura e é possível subir a uma delas, de onde temos uma excelente vista do rio e da Ponte Romana.

Ponte Romana

Daqui voltámos para o hotel, onde trocámos de roupa e esperámos que parasse de chover.

Rotunda da Av. Reina Sofia, ao lado do hotel!

Quando o tempo melhorou, fizemos um passeio pela periferia da cidade. Acabámos por atravessar o Guadiana e seguir a sua margem esquerda, até o Parque de San António, que fica junto à Ponte Romana.

Durante o percurso pela periferia…

Em ambas as margens existem parques de lazer junto ao rio. Nesta margem, no outro lado da Ponte Romana, logo em frente ao Parque de San António fica o Parque de Las Siete Sillas! Na margem direita, existe um passadiço que acompanha sempre a água até ao grande Parque de La Isla, que fica em frente à ilha, já depois da Ponte Lusitânia.

Resolvemos então atravessar a Ponte Romana, em direcção à Alcáçova. Feita a partir de 25 a.C., é um dos cartões de visita da cidade e a maior ponte sobrevivente dessa época, com 62 arcos e 792 metros de comprimento. Vale muito a pena fazer o passeio e atravessar a ponte, quer de noite quer de dia, cercada pelos vários espaços verdes que têm sempre muita animação!

A meio da travessia…

Depois da ponte fomos novamente para o centro histórico, à procura de um local para jantar.

Regressando ao centro histórico…

Já de barriga cheia demos um passeio pela zona, que é bem animada e cheia de movimento. Fomos apreciando, entre outras coisas, a arte urbana da cidade.

Excelente trabalho!

É espectacular andar a passear pela cidade e, no meio das lojas, encontrar um Templo de Diana. Ao seu redor encontram-se algumas escavações e existem explicações em português, nas várias placas que rodeiam o templo e as ruínas que o cercam.

Templo de Diana

Depois do Templo, fizemos o caminho de regresso ao hotel. A noite estava boa e nada fria, parecendo incrível que tivesse chovido tanto, poucas horas antes.

Dia 2

A manhã do segundo dia, logo após o pequeno-almoço, começou com uma visita ao complexo onde ficam o Anfiteatro e o Teatro Romano.

O Anfiteatro foi inaugurado no ano 8 a.C. e tinha capacidade para cerca de 16.000 espectadores. Aqui eram realizados os combates entre gladiadores e as caçadas e lutas com animais selvagens.

Anfiteatro Romano

Vale a pena perder tempo a absorver todos os pormenores deste local, com as suas passagens, arcos e buraquinhos para espreitar!

Explorando o Anfiteatro!

Mesmo ao lado fica o magnífico Teatro Romano, que considero uma visita obrigatória. Foi construído, a pedido de Marco Agripa, entre os anos 16 e 15 a.C. e continua a ser palco de espectáculos, sendo aqui realizado anualmente o Festival de Teatro Clássico.

Teatro Romano

A sua plateia dividida em 3 secções, e onde se sentavam de acordo com o estatuto social, tinha perto de 6.000 lugares. O palco é lindo, com todas as suas colunas e esculturas que representam vários deuses e imperadores. Era fechado com uma parede de 30 metros de altura, existindo 3 corredores por onde entravam os actores. O corredor central, que se chamava Valva Regia, tem sobre ele a estátua da deusa Ceres.

O palco do Teatro Romano!

Não deixem o Teatro sem percorrer o jardim, que fica atrás do palco. Além de ser bem bonito tem várias peças interessantes, entre as quais estão as estátuas da família imperial, colocadas nos nichos que se encontram num dos muros que o cercam!

Jardim do Teatro Romano!

Terminámos a visita e fomos em direcção a um dos aquedutos da cidade. Pelo caminho, tendo ouvido barulho, por curiosidade entrámos no Centro Desportivo Tae Guk Kim. São várias as modalidades de combate que se ensinam neste espaço e o barulho vinha da aula que estava a decorrer no momento da nossa passagem! 😁

Centro Desportivo Tae Guk Kim

Ainda antes de chegarmos ao aqueduto fizemos uma paragem no Museu Aberto de Mérida. São duas as colecções que podemos visitar neste espaço: a Geomérita apresenta uma exposição com minerais, rochas e fósseis e a Praemérita tem uma mostra de armas, armaduras e outros artefactos antigos. Todos os objectos expostos foram encontrados na região, sendo também aqui promovidas algumas exposições temporárias.

Geomérita

Chegámos, finalmente, ao Aqueduto de San Lázaro. Tem quase 1 km de comprimento e perto dele podemos ver as ruínas de umas Termas Romanas.

Aqueduto de San Lázaro

Daqui seguimos até ao Circo Romano, que impressiona pela sua dimensão! As voltas na arena simbolizavam os meses do ano e as quatro equipas eram diferenciadas pela cor, representando as estações. Tem uma forma oval e merece uma visita, só para termos noção do que eram as corridas com quadrigas! 😊

Circo Romano

Iniciámos a caminhada para a Basílica de Santa Eulália, tendo passado pelo que resta do Xenodóquio. Foi construído no século VI, durante o reinado dos visigodos. Servia de albergue e hospital para os viajantes e para os pobres, fornecendo alojamento, comida e cuidados gratuitos.

Xenodóquio

A Basílica de Santa Eulália, apesar de não ser muito grande, tem muitos pormenores interessantes e que merecem ser vistos! Logo no acesso ao átrio, temos o Hornito. É um oratório dedicado a Santa Eulália e o seu pórtico foi feito com peças de mármore extraídas, no séc. XVIII, de um templo que os romanos tinham dedicado ao deus Marte e cuja localização original se desconhece.

Basílica de Santa Eulália

Tenham em atenção que apesar do bilhete para a Cripta estar incluído no passe-geral da cidade, não dá direito à entrada na Basílica, que se faz através de um acesso por dentro da cripta. Assim, antes de entrar, peçam logo o bilhete para a Basílica ou não a conseguirão visitar! 😉

Cripta de Santa Eulália

Passando pela cripta, onde pudemos ver inúmeras sepulturas e mausoléus de épocas distintas, entrámos no templo. O edifício actual foi construído no século XIII, no mesmo local, seguindo a mesma planta e aproveitando alguns materiais da basílica original, que era do século IV.

O magnífico tecto da Basílica!

O monumento seguinte foi o bonito Aqueduto dos Milagres. É uma zona muito sossegada e bastante agradável, com um enorme espaço verde onde se pode passear e descansar!

Durante o dia, e em algumas noites, fazem-se animações nesta zona. Quando chegámos estava um palco montado, com uma banda de originais a tocar. 😊

Aqueduto dos Milagres

Ainda existem cerca de oitocentos metros do aqueduto e algumas das suas torres têm vinte e sete metros de altura. No seu lado norte está um tanque, que era usado para depurar a água e que servia também de fonte!

Tanque de Depuração

Daqui fizemos o caminho de volta até ao centro, à procura de um lugar onde ainda nos servissem almoço. Entrámos na Brasería Belloso, onde fomos atendidos com muita simpatia, apesar de serem quase 15h. O Google informa que já não existe, infelizmente, porque as doses eram bem servidas e bem saborosas. Apresentavam muitos pratos tradicionais e muitos grelhados. Nós pedimos umas sopas e umas migas extremeñas, como entrada, que estavam uma maravilha.

Brasería Belloso

Muito satisfeitos, e de barriga cheia, fomos visitar o espectacular Museu Nacional de Arte Romana. 😊

Museu Nacional de Arte Romana

O tamanho do espaço e da colecção é impressionante! A quantidade e a qualidade das peças, assim como a sua conservação, são incríveis. Os mosaicos, a cerâmica, as esculturas, os simples objectos do quotidiano e as jóias usadas pelos romanos, a enorme cripta, tudo merece ser visto com atenção. O próprio edifício é fabuloso e é outra visita que considero obrigatória!

Uma das bonitas peças!

Terminada a visita, fizemos o caminho de regresso ao hotel para descansarmos da caminhada que, segundo a informação do telemóvel, foi de 42 km! 😅

Durante o percurso passámos ainda pelo Pórtico do Fórum. O seu revestimento era todo em mármore e foi construído durante o séc. I. Os seus muros tinham nichos, com estátuas de deuses e figuras relacionadas com a história de Roma e a família de Augusto.

Pórtico do Fórum

Tinham passado pouco mais de duas horas quando saímos do alojamento e fomos passear para a margem do rio. Percorremos novamente metade da Ponte Romana e olhámos outra vez para a Ponte Lusitânia, lamentando não haver tempo para lá ir.

Foi inaugurada a 10 de dezembro de 1991 e é uma obra de Santiago Calatrava. É bem bonita, com o seu design moderno e a sua iluminação à noite, existindo no centro uma fantástica passagem para peões. O seu nome é uma referência ao facto de Mérida, na altura conhecida como Emérita Augusta, ter sido a capital do território lusitano.

Na outra margem ficam o Parque das VII Sillas, que já tinha mencionado, e o Parque do Palácio de Congressos, locais que não conseguimos visitar.

Ponte Lusitânia

De qualquer modo, mesmo sem tempo para atravessar e explorar a margem esquerda, fomos seguindo o rio até à rotunda que fica junto à sua entrada, com o Monumento a Octávio Augusto.

Um pouco antes, parámos para observar a Área Arqueológica da Morería. É mesmo incrível a riqueza histórica desta cidade, com ruinas de muralhas e de villas romanas espalhadas por todo o lado. Podemos entrar na Área, para admirar melhor as calçadas e outros pormenores, embora do exterior também se consiga ver bem o local.

Área Arqueológica da Morería

O caminho de regresso foi feito pela Calle de San Salvador, que nos levou até à Plaza de Santa María. Esta praça liga com a Plaza de España e entre as duas fica a Concatedral Metropolitana de Santa María la Mayor.

Quase em frente à torre da catedral, de costas para a estrada, está o Monumento de Homenagem à Semana Santa. É uma curiosa estátua, que representa um devoto a esfregar um dos pés! 😄

Monumento de Homenagem à Semana Santa

A simpática Plaza de España, com a sua fonte, é um excelente local para petiscar e beber qualquer coisa. Foi isso que nós fizemos numa das esplanadas dos quiosques que existem, um em cada canto do seu quadrado central.

Nas ruas, ao seu redor, há vários restaurantes e bares. É também aqui que estão situados alguns bancos, um hotel de 5 estrelas e a Câmara Municipal. Não podem deixar de olhar para a maravilhosa fachada do Palacio de la China, um edifício de 1928 que, infelizmente, foi abandonado e colocado à venda.

Plaza de España

Estivemos aqui a relaxar durante umas horas, regressando depois directamente para o hotel.

Dia 3

No último dia não vimos nada em Mérida, ficando em falta uma passagem pelos Poços de Neve e pelo Arco de Trajano. Acordámos um pouco mais tarde e, depois do pequeno-almoço, abalámos de regresso ao Algarve. Pelo caminho resolvemos parar em Portel, para almoçar no Restaurante São Pedro.

Fomos atendidos com muita simpatia e os pratos tradicionais alentejanos, assim como as entradas e as sobremesas, tinham uma excelente apresentação e muito sabor. Adorámos as cestas do pão, feitas com rolhas de cortiça! 😁

A cesta do pão, no Restaurante São Pedro!

Depois do almoço, aproveitámos para conhecer a povoação. A nossa visita começou na Igreja Matriz, construída entre 1754 e 1766.

Igreja Matriz de Portel

Vista a igreja, decidimos subir até ao Castelo. Junto dele, e da Câmara Municipal, está a Estátua de D. Nuno Álvares Pereira. Também podemos ver, na mesma praça, a Igreja da Misericórdia.

Praça D. Nuno Álvares Pereira

O Castelo foi fundado por D. João Peres de Aboim, em 1261, tendo sido modificado por Francisco Arruda, durante o reinado de D. Manuel I.

Castelo de Portel

Na altura que o visitámos, apesar das muralhas e da torre estarem em excelente estado de conservação, achámos o interior muito degradado e com falta de manutenção, como se pode ver pelas imagens.

Parte do interior do Castelo!

Entretanto, segundo algumas notícias que li, o problema foi resolvido. Em 2021 o Castelo foi reabilitado e foi inaugurado um Centro de Interpretação no local, proporcionando aos visitantes informação sobre a sua história e as transformações que sofreu ao longo dos anos.

De qualquer modo, na sua muralha temos uma vista espectacular sobre a vila e toda a região. Vale a pena a visita! 😉

Vista de Portel, na muralha do Castelo.

Descendo de volta ao centro e ao carro, retomámos o caminho para casa, fazendo os 242 km que nos faltavam e uma paragem para jantar! 😊

Como digo sempre, espero que tenham gostado do Roteiro e que vos ajude a programar uma escapadinha ou, pelo menos, que sirva de inspiração. Qualquer dúvida que tenham é só deixar nos comentários, que tentarei ajudar no que for possível! Boas viagens para todos! 😉

Publicado em espanha

Ronda – 4 dias na cidade do Tajo!

Em 2015 decidimos, pela primeira vez, não passar o Natal em casa! Como a decisão foi muito em cima da hora, tivemos de pensar num destino em que se conseguisse ir de carro… a localidade escolhida foi Ronda, na vizinha Espanha.

O Roteiro que fizemos:

DIA 1

  • Viagem e Alojamento
  • Iglesia de La Merced 

DIA 2

  • El Templete de Los Ahorcados (o de La Virgen de los Dolores)
  • Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno
  • Fuente de los Ocho Caños
  • Ponte Velha
  • Jardins de Cuenca
  • Banhos Árabes
  • La Ermita de San Miguel
  • Puerta de Almocábar
  • Santuário de Santa Maria Auxiliadora
  • Plaza Duquesa de Parcent
  • Iglesia de Santa Maria la Mayor
  • Casa-Palácio Museu Lara

DIA 3

  • Real Maestranza de Caballería de Ronda
  • Puente Nuevo
  • La Casa del Rey Moro | Casa Neomudéjar | Mina de Água Secreta | Jardín de Forestier
  • Miradouro de Aldehuela
  • Casa Museo San Juan Bosco

Dia 4

  • Viagem de Regresso
  • Huelva | Catedral de Huelva

DIA 1

Éramos 5 pessoas e abalámos de Vila do Bispo, dia 24 de Dezembro, perto das 8h. Seguimos em direcção a Sevilha para depois descer para Ronda, fazendo uma viagem de cerca de 425 km. Fizemos paragens para tomar o pequeno-almoço e para almoçar, sempre com calma, tendo chegado ao destino por volta das 17h.

Fomos directos ao Hotel San Cayetano, reservado pelo Booking e escolhido por ser o único que ainda tinha quartos disponíveis. Não serve pequeno-almoço e não tem estacionamento. Tem a vantagem de ficar no centro da cidade, perto de tudo.

Os quartos são óptimos, com boas casas-de-banho, um excelente conforto e uma limpeza impecável. O pessoal da recepção foi bastante simpático e disposto a ajudar, com várias dicas sobre visitas, cafés e restaurantes. Como optámos por ficar só em Ronda, o carro ficou num estacionamento subterrâneo, na praça ao lado da rua do hotel. Só voltámos a mexer nele para fazer a viagem de regresso. 😉

O meu quarto!

Depois de instalados, fomos dar uma volta pela cidade e procurar um local para jantar.

Primeiro passeio pelo centro…

A decoração estava bonita e, não sei se foi por estarmos na época natalícia, as ruas e as esplanadas estavam cheias.

Continuando a conhecer a cidade!

É uma povoação bastante animada, com várias zonas dedicadas ao comércio e à restauração.

A cidade toda decorada!

Nesta primeira noite, jantámos num restaurante chinês que encontrámos durante o passeio. Por ser véspera de Natal, todos os outros por onde passámos estavam fechados.

Presépio numa praça!
Um dos caminhos que fizemos…

Depois disso continuámos a exploração, passando pela ponte e pelo miradouro, acabando por entrar na Iglesia de La Merced durante a Missa do Galo!

Iglesia de La Merced, onde estava a ser celebrada a Missa do Galo!

Depois da missa, que não vimos até ao fim, fomos novamente para as ruas das lojas e passámos pela Praça de Touros.

Escultura junto à Praça de Touros.

A cidade é pequena e é fácil circular pelas várias zonas a pé. Demos mais uma voltinha e regressámos ao hotel! 😊

Fantástica loja de presuntos!

DIA 2

O segundo dia começou com um excelente pequeno-almoço. Descobrimos uma padaria/pastelaria, atravessando a rua depois do hotel, que era uma maravilha. O pão e os bolos acabados de fazer e os croissants quentinhos e bem estaladiços… Muito bom! 😊

Entretanto, iniciando o passeio, fomos dar ao ‘El Templete de Los Ahorcados (o de La Virgen de los Dolores)‘, que data de 1734 e tem uma história bastante curiosa!

El Templete de Los Ahorcados (o de La Virgen de los Dolores)

Duas das colunas, como vêem na imagem e só para vos contar um pouco da história desta ‘capela aberta‘, representam as figuras daquilo que primeiro foram chamados de “Homens-Pássaro” e que depois passaram a ser conhecidos como “Anjos Caídos“. O que é certo é que, embora muito antigas, estas figuras são idênticas à imagem que todos nós temos de extraterrestres! De qualquer modo, representam algo que veio do céu! 😆

Isto, para os entusiastas da Ufologia, prova que as visitas dos aliens ao nosso planeta, ocorrem há mais anos do que se possa pensar. A história dos discos voadores não é, portanto, recente e é identificada, inclusive, desde a Antiguidade.

E agora…?? Existem ou não?!? Heheheeh… 😁

Depois deste estranho templo, continuámos a visita à cidade!

Explorando…
Um dos candeeiros da cidade e a estátua de Ana Molina, conhecida como Amaya ‘La Gitana’, famosa cantora, guitarrista e bailarina.

A paragem seguinte foi na Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno, que tinha um presépio enorme, com as figuras em tamanho real.

Entrando na Igreja, um dos altares e o Anjo que era o início da exposição.

Era uma exposição com carácter solidário e estava muito bem conseguida.

Um dos quadros representados.
Algumas das figuras deste bonito presépio!

Depois de vista a exposição, a exploração continuou… Existem muitos pormenores engraçados, que se vão descobrindo enquanto se percorre a povoação.

Fuente de los Ocho Caños, que fica em frente à Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno.
Caminho por onde vamos seguir…
Vista da Iglesia de Ntro. Padre Jesus, onde estivemos, e da Fuente de los Ocho Caños!

Fomos andando até chegarmos à Ponte Velha, que levanta dúvidas sobre a sua construção ter sido romana ou árabe.

Ponte Velha, vista dos 2 lados!

Daqui continuámos até aos Jardins de Cuenca, que merecem uma visita.

Jardins de Cuenca e vista para o Palacio Del Rey Moro, que estava a ser restaurado.

Saindo dos Jardins, fomos até aos Banhos Árabes, que podem ser visitados. Foram construídos entre os séculos XIII e XIV, estando as suas ruínas bastante bem conservadas. O espaço é pequeno mas, durante a visita, mostram um vídeo que permite ver como eram e como funcionavam.

Banhos Árabes

Pelo caminho passa-se por La Ermita de San Miguel, que estava encerrada.

La Ermita de San Miguel

Depois do Banhos, vimos um trilho que nos levava por fora das muralhas, até ao outro lado da cidade… Como tínhamos tempo e estava um excelente dia, resolvemos seguir por ele! 😁

Começando a fazer o trilho!
O percurso que fizemos… a minha mãe e as minhas tias, ainda vinham no caminho… 😊
Já no local onde voltámos a entrar na estrada!

Continuando a caminhada, fomos dar à Puerta de Almocábar, que é do séc. XIII. Foi modificada por Carlos V e restaurada em 1961!

Puerta de Almocábar, no meio das duas torres, fica outro arco com uma portão mais largo.

Passámos por ela e fomos subindo até ao centro da cidade.

Vista que se tem, durante o regresso ao centro.

Passámos por um muro, totalmente escrito com todo o tipo de mensagens. Não percebemos porquê! 😁

O muro rabiscado!

Depois seguimos para o Santuário de Santa Maria Auxiliadora, que tem uma bonita igreja. Infelizmente, só se pode visitar durante as missas.

Santuário de Maria Auxiliadora.

De qualquer modo, é uma das zonas mais altas da cidade e conseguem-se belas vistas da paisagem, a partir de um miradouro que existe aqui.

Vista a partir do miradouro.

Continuámos andando até à Plaza Duquesa de Parcent, que tem um bonito jardim e onde fica o Ayuntamiento de Ronda, a câmara municipal. Esta praça tem muito movimento e vários pontos de interesse.

Passeando na Plaza Duquesa de Parcent.

Aqui podemos encontrar o Convento de Santa Isabel de los Angeles e o Convento De La Caridad (HH. De La Cruz). Convém verificar os horários, porque nem sempre estão abertos.

Ayuntamiento de Ronda

Também existem bons cafés e restaurantes, além de se poder alugar um coche para passear pela zona! 😊

Um dos coches, a passar em frente à Igreja.

É também nesta zona que fica a Iglesia de Santa Maria la Mayor, que começou a ser contruída em 1485 e vale a pena ser visitada. É bonita por dentro e por fora, com a sua fantástica torre.

A torre da Igreja, o seu interior e uma das várias portas!

Depois de vista esta zona, fomos para a Casa-Palácio Museu Lara, que é uma visita obrigatória nesta cidade.

Fachada do Museu

O que impressiona, neste museu, é a diversidade de colecções apresentadas!

Alguns dos instrumentos em exposição.

Desde instrumentos musicais, a armas, máquinas fotográficas, máquinas de filmar, binóculos, máquinas de escrever… Tudo bem dividido por secções e tudo bem conservado e com boa visibilidade.

Pistola alemã, do séc. XVIII, com 7 canos de disparo único… era usada como sistema de defesa pelos capitães dos navios, em caso de motim!
Peças do Museu.

Tem ainda, num piso mais baixo, uma sala dedicada à Inquisição e aos seus métodos de tortura.

Antiga máquina de escrever… Fantástica!
Várias das máquinas fotográficas…

Uma parte desta sala também apresenta uma curiosa selecção de elementos mitológicos ou relacionados com a bruxaria. É um museu para todos os gostos! 😁

Ingredientes usados para bruxarias! 😁

A foto seguinte são duas raízes de Mandrágora, planta mística rodeada de lendas! Era uma das plantas mais usadas em feitiçaria, devido ao facto das suas raízes apresentarem formas semelhantes às humanas! Além disso, tem propriedades alucinogénias, afrodisíacas e serve de analgésico… penso que dela também são extraídos venenos. Uma raiz com forma masculina e outra com forma feminina. É mesmo incrível a semelhança com as formas humanas, com os pormenores todos!

Raízes de Mandrágora.
Para quem nunca viu, aqui está um Dragão! 😆

Do museu fomos de novo para a zona do nosso hotel. O objectivo foi descansar um pouco, antes do jantar! 😊

Já na Praça, perto do hotel!
A fonte e a igreja, desta praça.

Depois da refeição, demos um pequeno passeio pela cidade que estava, mais uma vez, bastante animada. Pessoal espalhado por todo o lado, tudo à vontade, vendo as montras e conversando nas esplanadas. É uma povoação muito segura.

O passeio, para fazer a digestão!

DIA 3

No dia 26, depois ter termos ido tomar o pequeno-almoço na pastelaria perto do hotel, fomos visitar a Real Maestranza de Caballería de Ronda.

Quase na entrada da Praça de Touros.

Esta Praça de Touros é a maior de Espanha, e talvez do mundo, e foi a primeira a ser construída em tijolos. A sua escola de equitação é uma das mais prestigiadas do país e promove vários eventos e prémios.

Bilheteira da Praça

Foi construída em 1785, embora a Real Maestranza já exista desde 1572, tendo sido instituída por D. Filipe II.

O picadeiro de treino, pertencente à escola.

Há muito para ver, dentro desta praça. Vale a pena a visita, mesmo que não se goste de touradas, como é o meu caso! 😉

A 1ª foto, é onde passam os cavalos, quando vão das cavalariças para o picadeiro de treino. A 2ª é por onde passam quando vão para a arena.
Entrando pela parte de baixo da arena. Temos acesso a ela, em todos os pisos.

Durante a visita, além da arena, podemos percorrer as galerias. São lindas e cheias de pormenores e objectos em exposição.

Um estudo das tácticas de arena.

Caso as visitem, reparem nos degraus em azulejos… são fantásticos e cada um retrata uma cena diferente!

Alguns dos degraus, em azulejo!

São vários os instrumentos de toureio em exposição, desde capotes, bandarilhas, espadas e os adereços para os cavalos. Existem ainda vários quadros, com notícias e cartazes e uma colecção de armas de duelo. Todas utilizadas! 😁

Alguma da roupa em exposição.

Vimos aqui o impressionante crânio de um Uro! Este bicho era uma espécie de boi gigante selvagem, que chegava a medir 2 metros de altura e a pesar mais de 1 tonelada… imaginem um touro do tamanho de um elefante… algo assim! Os seus cornos podiam atingir cerca de 1,5m de comprimento! Esta espécie, o Bos Primigenius, foi declarada extinta em 1627, quando a última fêmea morreu numa floresta, na Polónia!

Desde 2010, estão vários cientistas italianos a tentar recriar um exemplar deste animal, que tem mais de 2 milhões de anos e que é proveniente do norte da Índia.

O crânio do Uro!
A arena, vista do anel superior.

Terminada a visita à bonita praça de touros, fomos para a Puente Nuevo. Esta ponte é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade e de toda esta região. Foi construída no séc. XVIII, tem 98 metros e cruza o Tajo, por onde corre o rio Guadalevín, que forma uma bonita cascata. Pode-se ir passear até lá, sendo um cenário magnífico.

A primeira ponte a ser aqui construída foi em 1735, só que aguentou pouco tempo. Seis anos depois caiu, matando 50 pessoas. Em 1751, começou-se a fazer a ponte actual, que só foi acabada em 1793, quarenta e dois anos depois. O seu interior pode ser visitado, funcionando lá uma espécie de Centro de Interpretação, que era antes uma prisão.

O caminho até chegarmos à entrada da ponte, parte da vista que se tem lá de dentro e escadaria interior.

A próxima atracção a ser visitada foi La Casa del Rey Moro, onde podem ser vistos três elementos: a Casa Neomudéjar, a Mina de Água Secreta e o Jardín de Forestier! É um lugar muito interessante e fantástico. A sua história vem do século XIV.

A casa não conseguimos ver, por estar a ser restaurada, mas os jardins são bastante bonitos… ficam mesmo em frente aos Jardins de Cuenca, que visitámos no dia anterior. Foi desenhado por Forestier, que criou um belo espaço, com vários níveis, unindo os mesmos com um canal de água.

Parte do jardim!
Um dos habitantes deste local! 😊
Os Jardins de Cuenca, vistos do Jardim de Forestier.

A mina já está referenciada em textos que datam de 1485, isso quer portanto dizer que é ainda mais antiga! Era usada como saída secreta da cidade pelo rio Guadalevín e é composta por várias salas, que se vão encontrando durante a descida! Os escravos traziam de lá a água que abastecia o Palácio. A sua construção e a sua configuração como estrutura militar secreta, impressionam!

Parte da Casa, vista do terraço e entrada da Mina!

Não os contei, mas li que são 231 degraus. Aviso que é bastante cansativo e que nem todos conseguem fazer o percurso. Os degraus não são fáceis… a descer é na boa, mas o caminho para cima é difícil!

Fazendo a descida… A escadaria e algumas das salas por onde se passa!

De qualquer modo, é bem satisfatório chegar lá em baixo e sair numa plataforma, mesmo por cima do rio e no fundo do Tajo. É lindo! 😊

A plataforma no fundo da mina e a parede com as entradas de luz e ar, vistas de fora!

Terminada a visita a esta Casa e à sua Mina de Água Secreta, continuámos o nosso passeio pela cidade, indo por ruas por onde ainda não tínhamos passado.

Oura das vistas a que tivemos direito… a espectacular paisagem, com a cidade e a torre da Iglesia de Ntro. Padre Jesús Nazareno.
Passeio que fomos fazendo… passámos por algumas bonitas fachadas e por este mural de azulejos!

Acabámos por decidir ir comer qualquer coisa. Escolhemos a Cervecería Mesón Rondeño, que se recomenda. Boa comida, a preços acessíveis e com um serviço bastante simpático!

Excelente restaurante!

Depois do almoço, continuámos o nosso passeio. Encontrámos algumas esculturas e uma árvore de Natal tão bonita, que me apeteceu ficar com ela… heheeheh… era feita de presuntos! 😁

Fomos de novo parar à praça central da cidade, vendo sempre coisas novas pelo caminho.

A árvore de Natal de presuntos e um memorial a Orson Welles.

Uma das coisas que vimos foram umas espécies de medalhões no chão, que formam um tipo de ‘passeio da fama’! Neles aparecem a cara e a assinatura de alguns ilustres da cidade.

Um dos medalhões!

Ainda estivemos no coreto, que fica junto do Miradouro de Aldehuela, onde está sempre alguém a tocar e onde se tem uma vista magnífica!

Coreto, já na zona do miradouro!

Daqui resolvemos continuar a explorar a cidade… o objectivo era aproveitar ao máximo a última tarde! 😊

O Mirador de Aldehuela, onde tínhamos estado antes!

Entretanto, continuando a volta, passámos por um pátio bem bonito e que nos chamou a atenção! Como estava aberto, resolvemos entrar e apreciar o lugar…

Foi este o átrio que vimos e onde entrámos!

Era a linda Casa Museo San Juan Bosco… é uma das atrações da cidade, mas não sabíamos da sua existência… foi uma sorte termos passado por ela! 😁

A entrada e um dos bonitos bancos do pátio!

Este palacete pertencia ao casal Don Francisco Granadino Pérez e Doña Dolores Gómez Martínez. Tendo o marido falecido, em 1934, Doña Dolores deu a mansão à Ordem dos Salesianos. Foi então transformada em casa de saúde e lar de idosos. Vale muito a pena a visita, onde podemos ver os móveis e as tapeçarias originais, que continuam nas paredes.

Parte da vista da casa, com os móveis e toda a decoração original!

Umas das coisas que tornam esta visita imperdível é o terraço que existe nas traseiras da casa… tem vários pormenores muito engraçados e uma vista deslumbrante para a Puente Nuevo!

Bonita fonte do terraço! Achei uma curte o pormenor dos sapos! 😁

Como já estava a ficar tarde, voltámos para o hotel… pelo caminho ainda fomos outra vez à Iglesia de Santa Maria la Mayor… ver uma parte que nos faltava, com um acesso mais afastado do principal!

A outra parte da Iglesia de Santa Maria la Mayor!

DIA 4

No último dia, depois do pequeno-almoço e para não abalarmos logo de seguida, decidimos descer o Tajo! O desfiladeiro é incrível e merece um passeio por ele… A paisagem é espectacular e as margens do rio são fáceis de percorrer! 😊

Durante a descida!

De regresso ao centro e ao carro, iniciamos o nosso caminho de regresso a Vila do Bispo… foram feitas algumas paragens, uma delas em Huelva, onde fomos visitar a Catedral!

Catedral de Huelva

Ficaram muitas coisas por ver na cidade e merece, sem dúvida, um regresso! Há muito que se pode fazer em Ronda e em toda a região… a Cueva del Gato, o Caminito del Rey e a vila de Setenil de Las Bodegas são nesta zona e merecem também uma visita… sendo assim, está decidido que vou ter de voltar! 😁

Espero ter ajudado e que vos tenha dado algumas sugestões úteis, para quando resolverem programar uma visita à localidade… Boa viagem! 😉